Retirada da Laguna
O território da Fazenda Jardim entra definitivamente na memória nacional.

Uma história que passa por uma fazenda, uma retirada militar, uma comissão de estradas e a fundação de uma vila.
Jardim leva o nome da antiga Fazenda Jardim, propriedade ligada a José Francisco Lopes, personagem que ficaria conhecido como Guia Lopes durante a Guerra da Tríplice Aliança.
A cidade atual nasceu décadas mais tarde. Separar esses capítulos ajuda a compreender por que natureza, guerra e infraestrutura rodoviária aparecem juntas na identidade jardinense.
José Francisco Lopes estabeleceu-se na região do Rio Miranda e ali manteve uma fazenda dedicada à pecuária. Conhecia rios, campos e trilhas de um território que, durante a guerra, se tornaria decisivo para a sobrevivência das tropas brasileiras.
A propriedade deu nome à vila fundada posteriormente. Essa origem sugere uma marca ligada ao território e aos caminhos, e não uma interpretação puramente ornamental da palavra “Jardim”.
Fonte municipal ↗“O território existia antes do mapa da cidade.
Durante a retirada das forças brasileiras, José Francisco Lopes guiou a coluna por uma região marcada por perseguição, fome e cólera. Ele, o coronel Carlos de Morais Camisão e o tenente-coronel Juvêncio Cabral de Menezes morreram nas proximidades do Rio Miranda.
O lugar dos primeiros sepultamentos tornou-se o Cemitério dos Heróis. As três tumbas foram tombadas em âmbito federal; os restos mortais haviam sido transferidos em 1930 para uma cripta no Rio de Janeiro.
Fundação de Turismo de MS ↗

A presença de unidades de construção rodoviária transformou o lugar. A Comissão de Estradas de Rodagem nº 3, conhecida como CER-3, reuniu militares, servidores civis e suas famílias.
A necessidade de moradias levou à aquisição e ao loteamento de terras da antiga fazenda. Até hoje, a memória da CER-3 pode ser conhecida em uma sala de exposição mantida no espaço da 4ª Companhia de Engenharia de Combate Mecanizada.
Atrativos culturais de Jardim ↗Em uma reunião conduzida pelo major Alberto Rodrigues da Costa, civis e militares receberam os primeiros lotes. O memorial assinado naquele dia é tratado como a certidão de nascimento da cidade.
Por isso Jardim comemora seu aniversário em 14 de maio, embora a emancipação política tenha ocorrido anos depois.
Relato publicado pela Prefeitura ↗O território da Fazenda Jardim entra definitivamente na memória nacional.
Ata de entrega dos lotes e data celebrada como aniversário da cidade.
Jardim passa a constituir distrito administrativo.
A emancipação política consolida Jardim como município.
Em Jardim, o episódio de 1867 e a formação urbana do século XX permanecem ligados a lugares concretos. O território ajuda a contar o que os documentos registram.
O sítio marca o lugar onde estiveram sepultados Guia Lopes, o coronel Camisão e o tenente-coronel Juvêncio. As tumbas foram reconhecidas como patrimônio; os restos mortais dos três haviam sido trasladados para o Rio de Janeiro em 1930.
O acervo reúne materiais associados à antiga Fazenda Jardim, ao Cemitério dos Heróis e à Mata do Cambaracê, ampliando a leitura local sobre a retirada e seus vestígios.
Documentos e objetos preservam a memória da Comissão de Estradas de Rodagem nº 3, dos trabalhadores e das obras que antecederam a fundação da Vila Jardim.
As salas de exposição ficam em área militar e a fonte municipal informa visitação mediante agendamento prévio. Confirme as condições atuais antes de ir.
Consultar informações municipais ↗As rodovias federais BR-060 e BR-267 atravessam a área urbana. Os rios, a memória militar e o trabalho de gerações continuam formando uma identidade que não cabe em um único cartão-postal.